Você vendeu bem no fim de semana. Na terça precisa pagar o fornecedor, mas parte das vendas no cartão só cai na quinta. A compra pode ser lucrativa e ainda assim faltar dinheiro na terça. O fluxo de caixa mostra esse intervalo e permite ajustar a compra antes de assumir o compromisso.
Entenda o papel de cada número
O faturamento registra o valor das vendas. O resultado considera custos e despesas. O caixa acompanha quando o dinheiro entra e sai. Para decidir se um pagamento cabe amanhã, comece pelo caixa. Para saber se o preço faz sentido, consulte também a margem das vendas.
Trabalhe com dois registros: realizado e previsto. O realizado acompanha o dinheiro que já circulou. O previsto inclui os compromissos e recebimentos esperados. Uma venda no cartão pode aparecer no registro de vendas de hoje e na previsão de caixa da data em que será creditada. Na conciliação, confira se o valor líquido e a data batem com o extrato.
Monte seu controle a partir do saldo real
- Some o dinheiro disponível nas contas e no caixa da revenda. Anote o dia em que conferiu. Separe o controle do negócio dos gastos pessoais.
- Registre cada movimento com data, descrição, valor, entrada ou saída e situação. Inclua parcelas de fornecedores, retirada pessoal, embalagens, taxas e entregas.
- Ordene os movimentos pela data de pagamento ou crédito. Calcule o saldo depois de cada linha.
- Atualize a situação quando o valor for pago ou recebido. Se atrasar, ajuste a previsão e reveja o efeito nos próximos vencimentos.
Saldo após o movimento = saldo anterior + entradas da data − saídas da data. Ao transferir dinheiro entre duas contas do negócio, registre a transferência sem tratá-la como uma nova venda.
Caso prático: o fornecedor vence antes do cartão
Imagine uma revendedora que começa a semana com R$ 300. Ela tem um boleto e uma entrega confirmados. O recebimento do cartão só está previsto para quinta-feira.
| Dia e movimento | Valor | Saldo projetado |
|---|---|---|
| Segunda, saldo de abertura | R$ 300 | R$ 300 |
| Terça, fornecedor | − R$ 240 | R$ 60 |
| Quarta, entrega | − R$ 30 | R$ 30 |
| Quinta, cartão líquido | + R$ 180 | R$ 210 |
| Sexta, embalagens | − R$ 40 | R$ 170 |
Se houver dinheiro reservado para entregar pedidos já vendidos, registre a saída na data provável antes de simular uma compra. Assim, o saldo de hoje representa também os compromissos dos próximos dias.
Ela quer recomprar R$ 100 na terça. Se pagar à vista, o saldo daquele dia iria de R$ 60 a − R$ 40. Na quarta chegaria a − R$ 70. O fechamento semanal ainda seria positivo, mas haveria dois dias de aperto. Ela pode avaliar se consegue adiar a recompra ou reduzir o valor e simular de novo. Se pagar os R$ 100 na quinta e o cartão cair conforme previsto, o saldo projetado após o pagamento será R$ 110 e fechará a sexta em R$ 70.
Como lidar com diferenças na prática
Se um pagamento no cartão foi de R$ 100 e a operadora depositou R$ 96, concilie R$ 96 no caixa e registre a taxa de R$ 4 no controle de vendas. Se o lançamento já estiver líquido, evite descontar a mesma taxa novamente. Quando houver devolução, registre a saída na data em que o valor for efetivamente devolvido e atualize o controle do pedido.
Combine um horário de fechamento semanal. Abra o extrato, confira o dinheiro disponível e separe o que vence antes do próximo recebimento. Se a previsão costuma falhar por um mesmo motivo, como atraso na liquidação, acompanhe esse intervalo com atenção antes de planejar compras.
Exercício para decidir a próxima reposição
Liste as entradas e as saídas dos próximos sete dias. Simule a compra na data desejada e encontre o menor saldo do período. Em seguida, simule uma compra menor ou em outra data. Escolha a alternativa que preserva os pagamentos já assumidos e a reserva que você decidiu manter.
O guia de fluxo de caixa do Sebrae detalha o controle de entradas e saídas. Para ligar caixa e compra de mercadoria, veja quando repor peças na revenda.
